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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Afonia



A afonia pode atingir qualquer pessoa em qualquer momento da vida. Caracterizada pela perda parcial ou total da voz, a afonia pode surgir associada a comportamentos de risco como fumar ou falar muito alto e durante longos períodos de tempo.

Causas
A afonia está, habitualmente, associada a condições físicas que afetam a as cordas vocais ou vias aéreas, tais como:

Laringite provocada por infeção viral, bactéria ou fúngica
Infeção do trato respiratório superior
Nódulos ou pólipos nas cordas vocais
Tumores (laringe e tiroide)
Refluxo gástrico
Distúrbios neurológicos (como, miastenia gravis, esclerose múltipla, doença de Parkinson ou esclerose lateral amiotrófica )
Distúrbios psicológicos (hoje em dia sabe-se que a perda de voz pode ter uma causa psicológica, associada a um trauma, por exemplo)
Sintomas
Incapacidade de falar ou incapacidade de falar mais alto que um sussurro
Rouquidão
Espasmo das cordas vocais
Dor de garganta
Dificuldade em engolir
Tosse
Inchaço

Diagnóstico
O diagnóstico envolve na maioria dos casos a avaliação pelo otorrinolaringologista, recorrendo a exames específicos no qual é possível observar as cordas vocais e identificar as lesões presentes:

Fibrolaringoscopia
Laringoscopia

Tratamento
O tratamento dependerá das causas associadas à perda de voz. Há, no entanto, um conjunto de medidas que o podem ajudar em qualquer dos casos:

Beber bastante água
Não fumar e evitar ambientes de fumo
Evitar o uso excessivo ou prolongado da voz
Evitar sussurrar, tossir ou pigarrear
Evitar ambientes com pó, cheiros fortes e ar condicionado
Evitar mudanças bruscas de temperatura
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Cancro da Laringe

Afeções Gástricas e Esofágicas



Os termos de indigestão e dispepsia são geralmente intermutáveis e são referentes a um conjunto de sintomas do sistema digestivo superior que estão habitualmente associados à ingestão de alimentos.
Contrariamente à mucosa gástrica, a esofágica não está protegida contra o ácido razão pela qual, este ácido ocasiona irritação e um processo inflamatório, com sintomas característicos da esofagite de refluxo, como azia ou pirose na zona terminal do esófago com sensação de saída de água e regurgitação do estômago/esófago para a garganta.
A indigestão é uma situação comum, cerca de 40% da população do Reino Unido sofreu dela em qualquer momento e, 10% apresentam estes sintomas, pelo menos uma vez por semana, não havendo diferenças de incidência entre os géneros.

Causas de Afeções Gástricas e Esofágicas

A indigestão é também conhecida como dispepsia não ulcerosa ou funcional, sem causa grave aparente estando associada à ingestão de alimentos.
Podem considerar-se 2 tipos de indigestão:
  • Indigestão ou dispepsia inespecífica;
  • Refluxo gastroesofágico ou esofagite de refluxo ou refluxo gástrico, conhecido habitualmente como pirose ou azia.
Geralmente, ambas as situações são causadas por processos inflamatórios gástricos e/ou esofágicos, provocados pela saída do ácido gástrico do estômago.
Prof. Doutora Maria Augusta Soares

Aerofagia



A aerofagia é uma condição caracterizada pela deglutição involuntária e excessiva de ar que se acumula no estômago, dando origem a sintomas gastrointestinais desconfortáveis. A aerofagia pode ser crónica ou aguda e pode estar relacionada a fatores físicos e psicológicos.

Causas
A aerofagia pode ser causada por comer demasiado rápido (taquifagia), por comer alimentos que aumentem a produção de gases (feijão, grão, castanhas, espargos, brócolos, cebolas, leite) ou pela presença de bactérias no intestino (neste caso, dando origem a aerocolia).

A aerofagia é bastante frequente nos lactentes, provocando eructações, acompanhadas muitas vezes de alimentos regurgitados, muitas vezes confundido com vómitos.

Sintomas

distensão abdominal
inchaço
arroto
flatulência
Diagnóstico
Uma vez que a aerofagia apresenta sintomas semelhante aos de outras condições clínicas, como o refluxo gástrico, alergias alimentares ou desequilíbrios intestinais, o médico deve avaliar e descartar essas hipóteses.

Tratamento

Enquanto a Aerocolia pode ser tratada com recurso a alguns medicamentos, a Aerofagia pressupõe a alteração de alguns hábitos diários:

Comer devagar
Mastigar bem os alimentos
Evitar falar enquanto come
Comer de boca fechada
Não ingerir bebidas gaseificadas
Evitar alimentos que provoquem gases
Alguns especialistas recomendam ainda terapia da fala para um melhor controlo da respiração enquanto fala, por forma a resolver o problema.

Aerocolia



Caracterizada pela acumulação excessiva de ar no intestino, a Aerocolia é uma condição benigna que resulta em distensão abdominal. Em alguns casos, dada a intensidade dos sintomas, pode ser altamente incapacitante. 

Causas
A presença de gases no intestino é bastante comum, estando habitualmente associada à dieta (sobretudo a uma dieta pobre em nutrientes e rica em gorduras e açúcar). Nestes casos, há que ter atenção aos hidratos de carbono simples ou de absorção rápida, também conhecidos como açúcares e que existem de forma natural em muitos alimentos. É o caso da lactose presente no leite ou a frutose presente na fruta.

A aerocolia pode estar ainda associada a outras patologias ou distúrbios do trato gastrointestinal, como:

Síndrome do Intestino Irritável
Doença Inflamatória Intestinal
Gastroenterite aguda
Insuficiência Pancreática
Parasitoses
Stresse ou estados de ansiedade, bem como a utilização de determinados medicamentos, pode condicionar o desenvolvimento desta condição.

Nos bebés, pode surgir em resultado da amamentação, da utilização da chupeta ou do choro, por descoordenação entre a deglutição e a respiração.

Sintomas

Inchaço
Dores ou espasmos abdominais
Gases
Eructações (arrotos)
Em alguns casos:

Dores de cabeça
Palpitações
Tratamento
O tratamento passa sobretudo pela adoção de uma dieta mais saudável e por ter bons hábitos alimentares:

Comer devagar, mastigando bem os alimentos
Comer pouco de cada vez
Mastigar de boca fechada para evitar a entrada de ar
Evitar beber líquidos durante as refeições
Evitar bebidas gaseificadas
Evitar alimentos enlatados e açucarados
Em alguns casos, é recomendada a utilização de probióticos.

Acromegalia



Caracterizado pela produção excessiva da hormona do crescimento (GH), este quadro clínico, que resulta na deformação dos ossos nos adultos, pode surgir ainda na infância designando-se por Gigantismo. Nestes casos, ao contrário do que acontece nas faixas etárias mais elevadas, as crianças desenvolvem uma grande estatura. 

A Acromegalia surge, habitualmente, entre os 30 e os 50 anos de idade numa altura em que as placas de crescimento já estão fechadas. Assim, ao contrário do gigantismo, que se caracteriza pelo crescimento anormal dos ossos, a Acromegalia conduz lentamente à sua deformação. Por outro lado, e uma vez que o excesso da hormona do crescimento afeta todos os órgãos e tecidos, estes adquirem um tamanho superior ao normal e tornam-se mais espessos dando origem a várias complicações.

Esta é uma condição rara que atinge, todos os anos, três pessoas em cada 1 milhão.

Causas
Em cerca de 90% dos casos, a produção excessiva da hormona do crescimento resulta de um tumor (benigno) da hipófise, conhecido por adenoma.

Mais raramente, outros tumores raros do pâncreas e dos pulmões podem conduzir à produção de hormonas que estimulam a hipófise a produzir quantidades excessivas da hormona do crescimento.

Sintomas

Maxilar protuberante
Testa saliente
Rugas vincadas
Nariz grande
Lábios grossos
Voz rouca
Transpiração excessiva
Pele oleosa ou acne
Ciclos menstruais irregulares (nas mulheres)
Alterações na visão
Dores de cabeça e articulares
Cansaço
Formigueiro nos membros superiores e inferiores
Insuficiência Cardíaca
Entre 10 a 25% dos casos são afetados pela diabetes. Cerca de 25% dos doentes regista hipertensão arterial e em 80% verifica-se a alteração da glicemia. Pode ainda registar-se o aumento do peito, desinteresse sexual e impotência sexual nos homens.

Estes doentes têm ainda maior probabilidade em desenvolver um tumor (na maior parte dos casos benigno) pólipos no cólon, bócio e aumento da próstata.

Diagnóstico
A Acromegalia é, na grande maioria dos casos, diagnosticada alguns anos após surgirem os primeiros sintomas.

O diagnóstico é confirmado por meio de uma análise ao sangue que confirma os níveis elevados da hormona do crescimento e do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1).

Pode ser necessário ainda pedir uma tomografia axial computadorizada (TAC) para detetar o crescimento anormal da hipófise.

Tratamento
O tratamento da Acromegalia pode ser feito com a combinação de cirurgia, radioterapia ou com recurso a terapia medicamentosa.

Cirurgia: é considerada para reduzir o tumor que está na origem na Acromegalia. No entanto, estes tumores são frequentemente grandes no momento em que são diagnosticados e a cirurgia não serve, por si só, para curar esta condição. A radioterapia é, nestes casos, utilizada como tratamento complementar, sobretudo se uma quantidade substancial de tumor permanecer após a cirurgia e a Acromegalia persistir.
Radioterapia: a radioterapia envolve o uso de irradiação por supertensão, sendo menos traumática do que a cirurgia. No entanto, esta demora mais tempo a produzir efeitos e pode afetar ainda o tecido normal.
Terapia medicamentosa: com o objetivo de diminuir os níveis de hormona do crescimento, são prescritos alguns medicamentos que bloqueiam ou inibem a produção e secreção desta hormona.

Acne



Atinge cerca de 80% da população com idade compreendida entre os 12 e os 24 anos, pelo que se pode dizer que esta é a doença inflamatória da pele mais frequente em todo o mundo. Caracterizada por um processo inflamatório que resulta da produção excessiva de sebo pelas glândulas sebáceas, esta afeta sobretudo o sexo feminino.

Pode ainda surgir na infância – entre os 1 a 7 anos de idade -, o que pode querer indicar algum problema subjacente, como é o caso da puberdade precoce.

Por outro lado, também a mulher adulta pode ter acne (depois dos 25 anos, mantendo-se até aos 40 ou mais anos), na maioria dos casos persistindo desde a adolescência ou então surgindo “de novo” nessa fase da vida.

Acne na adolescência
A acne na adolescência pode afetar a face e o tronco (ombros, zona V do decote e dorso), é mais precoce nas mulheres, mas mais grave nos homens. Caracteriza-se pela presença de hiperseborreia, comedões abertos e fechados (“pontos negros” e “pontos brancos”) e lesões inflamatórias (pápulas, pústulas, nódulos, quistos).

Acne na idade adulta

A acne na mulher adulta atinge a metade inferior do rosto e o pescoço, com lesões inflamatórias características. Com maior frequência, nesta faixa etária, há manipulação das lesões, o que acarreta cicatrizes hiperpigmentadas (acastanhadas). Nesta fase da vida, os fatores que contribuem para a acne são diversos, pelo que a resposta ao tratamento é mais demorada, podendo ser necessário manter um cuidado “preventivo” ao longo da vida.

Causas
As alterações hormonais são apontadas como as principais responsáveis pelo aparecimento da acne. As hormonas envolvidas neste processo são os “andrógenos”, com ação sobre as glândulas de gordura da pele, em determinadas localizações – face, tronco, couro cabeludo. Elas atuam aumentando a produção de sebo na pele e contribuindo para a condição de “hiperseborreia” que, associada a outros fatores, como a proliferação de bactérias, inflamação ou alterações no processo de queratinização da pele, conduzem ao aparecimento das lesões iniciais de acne – os comedões (vulgarmente designados por “pontos negros” ou “pontos brancos”). Quanto maior a inflamação que se observa, mais graves são as suas manifestações.

O stress é, no entanto, outro dos fatores que pode estar na sua origem (já que promove uma maior atividade das glândulas sebáceas) ou agravá-la, uma vez que aumenta a tendência do indivíduo para espremer ou coçar borbulhas.

Ao contrário do que se possa pensar, chocolates, azeitonas, marisco, gorduras ou bolos não são responsáveis por esta doença cutânea.

Sintomas

Pontos negros
Pontos brancos
Pápulas
Pústulas
Nódulos
Quistos
Diagnóstico
O diagnóstico da acne é feito após exame da pele. Neste, os médicos procuram determinados sintomas, como cravos ou comedões, para determinar se a pessoa tem acne e não outra doença de pele, como rosácea.

Após o diagnóstico, e com base no número e tipo de lesões, a acne é definida como: leve, moderada e grave.

Tratamento

O seu tratamento vai depender da gravidade da doença. No entanto, este permite reduzir a inflamação tornando a pele mais saudável.

Podem ser utilizados cremes, géis, sabonetes e antibióticos para controlar a proliferação bacteriana, de aplicação tópica (diretamente na zona afetada), ou, em situações mais graves, medicação oral.

O dermatologista pode ainda recomendar outros tratamentos complementares como a extração de comedões, punção ou drenagem de pústulas, nódulos e quistos. Peeling, laser ou dermobrasão podem ser necessários para o tratamento de marcas associadas às lesões provocadas pela acne.

Quanto às manchas, estas podem ser tratadas em casa com recurso a cremes ou em consultório com recurso a fototerapia de luz azul.

Abcessos cutâneos



Os abcessos cutâneos são manifestações purulentas, que surgem na pele, causadas por uma infeção bacteriana. Dolorosos ao toque podem surgir em qualquer parte do corpo.

Causas

A formação de um abcesso deve-se a uma infeção bacteriana a partir de microorganismos como os streptococcus, gonococos e, principalmente, estafilococos, que invadem o organismo através de pequenas perfurações ou lesões, obstrução das glândulas do suor e das glândulas sebáceas e pela inflamação dos folículos pilosos.

A doença ocorre quando a infeção penetra a pele e as células de defesa do organismo, denominadas leucócitos ou células brancas, saem dos vasos sanguíneos para a área infectada, na intenção de atacar as bactérias invasoras. O processo gera uma bolsa de tecido inflamado coberta de pus, que é uma mistura de bactérias, células e tecidos mortos.

Um abcesso cutâneo caracteriza-se, deste modo, por ser uma área edemaciada, dolorosa e sensível, a qual, à palpação, parece estar cheia de líquido espesso.

Quando as bactérias infetam o tecido circunvizinho, provocam uma inflamação difusa do tecido conjuntivo, ou celulite. As bactérias também podem infectar os vasos linfáticos vizinhos e os linfonodos nos quais eles drenam, causando aumento de volume dos mesmos.

Sintomas

Inflamação com ou sem dor
Nódulo
Edema
Sensibilidade local
Febre

Tratamento
O tratamento é habitualmente feito através da incisão e drenagem do pus.

Para realizar esse procedimento, o médico utiliza um anestésico local e, após drenar o abcesso, realiza-se uma revisão da cavidade para se assegurar de que todas as bolsas de pus foram drenadas. Qualquer secreção purulenta remanescente é eliminada com a lavagem da cavidade com soro fisiológico.

Algumas vezes, o abcesso drenado é recoberto com um curativo de gaze, o qual é removido após 24 a 48 horas.

 A aplicação de calor suave e a elevação da área afetada pode acelerar o processo de cicatrização.

Quando o abcesso é totalmente drenado, a administração de antibióticos não é necessária. Contudo, eles são necessários quando houver disseminação da infeção ou quando o abcesso estiver localizado na porção média ou superior da face, pois o risco de disseminação da infeção ao cérebro é alto.

Nota:
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.

Abcesso dentário



Um abcesso dentário é nada mais nada menos que uma bolsa de pus provocada por uma infeção bacteriana e que pode surgir em diferentes regiões do dente. Designa-se de abcesso periapical quando ocorre na extremidade da raiz ou periodontal quando este ocorre nas gengivas, junto à raiz do dente.

O abcesso pode ainda ser considerado consoante a intensidade e duração da sintomatologia, como agudo ou crónico. É que, embora as causas possam ser as mesmas, a reação do organismo e o nível de agressão podem ser diferentes.

No abcesso agudo a agressão é mais violenta e as defesas do organismo reagem de uma maneira mais intensa, ao passo que no abcesso crónico a agressão pode ser menos intensa e/ou a reação do organismo pode ser mais lenta. Em termos de consequências, são ambos iguais.

No entanto, um abcesso crónico pode desenvolver-se durante meses ou até anos e, habitualmente, não dá sintomatologia. Por isso, muitas vezes, é diagnosticado quando se faz uma radiografia por outro motivo qualquer. Aí, é possível verificar a eventual existência de um granuloma, ou até pode já existir um quisto.

Causas
A formação dos abcessos pode ter duas causas principais: as cáries ou a agressão dos tecidos próximos dos dentes.

Numa cárie há uma agressão da parte viva do dente (designada de pulpa), onde também existe uma artéria, uma veia e um nervo. Assim, uma cárie provoca a infecção da pulpa e vai depois levar à formação do abcesso, porque a pulpa tem ligação com o exterior do dente através da tal artéria, veia e nervo.

A segunda causa pode derivar de um tratamento dentário. Quando um doente vai desvitalizar um dente, isto é, retirar a pulpa e todo o tecido vivo do dente, são colocados produtos químicos para fechar esse “buraco”. Esses produtos podem causar uma agressão dos tecidos. De qualquer maneira, as cáries constituem a grande maioria das causas dos abcessos.

Sintomas
Dor de dentes intensa, persistente e latejante;
Sensibilidade a temperaturas quentes e frias;
Sensibilidade à pressão feita pela mastigação ou mordedura;
Febre;
Inchaço no rosto ou na bochecha;
Sensibilidade e inchaço dos gânglios linfáticos na parte inferior do maxilar ou no pescoço;
Afluxo súbito de líquido malcheiroso e com sabor desagradável na boca e alívio da dor, se o abcesso rebentar.
Tratamento
Atualmente, o tratamento dos abcessos faz-se à base de antibióticos e da drenagem do pus no local. O estado em que se encontra o abcesso é determinante para a escolha do tratamento.

A falta de tratamento dos abcessos pode originar complicações mais graves e em, situações raras, também originam manifestações sistémicas, ou seja, manifestações para além da zona, que podem ser do foro cardíaco e chegar até ao ponto de uma septicemia, registando-se uma disseminação daqueles micróbios através dos sistemas linfático e arterial. Estas situações, embora raras, são graves e podem levar à morte do doente.

Você sabia que o narguilé faz tão mal quanto o cigarro?



Dependendo do tempo da sessão, o ato pode equivaler a fumar mais de 100 cigarros. O narguilé faz mal e pode causar dependência por conter nicotina
Dependendo do tempo da sessão, o ato pode equivaler a fumar mais de 100 cigarros. O narguilé faz mal e pode causar dependência por conter nicotina

De origem oriental e com difusão mais recente pelo mundo ocidental, o narguilé chegou ao Brasil como recreação e logo caiu no gosto dos jovens, principalmente por conta das essências. O que as pessoas não percebem é que o produto fumado no aparelho tem como base o tabaco que, quando carburado, é tão prejudicial à saúde como o cigarro convencional.

Diferenças entre o narguilé e o cigarro
"Como qualquer produto do tabaco que é fumado, o narguilé vai produzir na sua combustão todas as 4.700 substâncias tóxicas já conhecidas do cigarro e que sabemos que causam doenças crônicas e cânceres", alerta a doutora Liz Almeida, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). "Muitos utilizam a desculpa de que em produtos assim, como também é o caso do charuto e do cachimbo, a fumaça não é tragada, pois a ideia é apenas sentir o sabor do produto. Na prática não é o que acontece com o narguilé e, mesmo que fosse, devemos lembrar que apenas a fumaça na boca é suficiente para gerar um câncer na cavidade oral".
  
Doutora Liz Almeida. Foto: INCA
O tabaco utilizado no narguilé, mesmo com toda a essência de sabor, é ingerido em maior quantidade pelo organismo. "Um dos maiores problemas do narguilé é a longa exposição ao tabaco. Dependendo do tamanho do aparelho e da durabilidade da sessão, o ato pode equivaler a fumar mais de 100 cigarros. E as pessoas devem lembrar que o produto tem nicotina, uma substância que causa dependência muito rapidamente. Logo o corpo vai pedir por mais, e passar do narguilé para outros produtos do tabaco, como o cigarro, é um pulo", aponta a doutora Liz Almeida.

O que o uso do narguilé causa?
Estudos associam o uso de narguilé ao desenvolvimento de câncer de pulmão, doenças respiratórias, doença periodontal (da gengiva) e com o baixo peso ao nascer, além de expor seus usuários a concentrações de nicotina que causam dependência. Em longo prazo, seu consumo pode causar câncer de pulmão, boca e bexiga, aterosclerose e doença coronariana.

Os riscos do uso do narguilé não estão somente relacionados ao tabaco mas também a doenças infectocontagiosas. Compartilhar o bocal entre os usuários pode resultar na transmissão de doenças como herpes, hepatite C e tuberculose.


Modismo
A moda se espalhou rapidamente pelo Brasil e os aditivos de sabor mascararam o perigo por trás do hábito. "O narguilé era um processo muito cultural dos turcos, libaneses. Algo que só era utilizado nos fins de semana. Os imigrantes dessa cultura trouxeram o narguilé para o Brasil e a moda pegou por aqui após uma novela que fez muito sucesso. Ao mesmo tempo, houve uma onda de reincorporação do uso dos narguilés por jovens nos bares. Isso gerou um boom na produção dos produtos e essa maior oferta disseminou mais facilmente o uso. Alguns pais e os próprios jovens sentem aquele cheiro adocicado e acham que não faz mal, imaginando que não há tabaco ali dentro", explica a doutora Liz.

Porta de entrada para o vício
O aumento no número de usuários de narguilé no país, principalmente entre os mais jovens, preocupa. Principalmente porque o aparelho serve de porta de entrada para um vício que pode durar a vida inteira e causar sérios problemas de saúde. "Por volta de 2007, as primeiras pesquisas já indicavam que vários jovens estavam usando outros produtos de tabaco que não o cigarro. E o produto mais frequentemente usado era, disparado, o narguilé", lembra a médica.

"Em 2008, na Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab), do IBGE, notamos que o percentual não era alto, representando pouco mais de 250 mil pessoas usando o narguilé. Mas na repetição da pesquisa, em 2013, um dado chamou atenção: pegando apenas a faixa entre 18 e 24 anos, tínhamos 63,3% de pessoas que afirmavam usar o produto. Já na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2015, entre jovens de 13 a 17 anos foi registrado que 7,3% deles faziam uso de um produto do tabaco que não o cigarro. Isso equivalia a 940.549 meninos e meninas. Desses produtos, o narguilé estava na preferência de 57,7% dos adolescentes. Ou seja, quando se atrela isso ao modismo, à onda da garotada, começamos a ter uma disseminação cultural de um produto que faz tão mal quanto o cigarro", finaliza a doutora Liz Almeida.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

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